7 motivos para começar a fazer um curso de Oratória e melhorar a sua comunicação
- 18 de fev.
- 7 min de leitura
Pedi para o Chat GPT me dar uma lista de motivos pra fazer oratória e não vou usar nenhum dessa lista. Seja fazendo aulas aqui com a gente no Cosmonauta, em outro espaço ou até mesmo online, esse texto traz algumas ideias diferentes do porquê vale a pena você considerar fazer oratória.

Você vai se sentir mais à vontade em situações de exposição.
Minha relação com a Oratória e exposição em público começou cedo. Por ser uma criança muito tímida, fui estimulado a fazer teatro aos onze anos. Na minha primeira peça, eu tive tanta vergonha que pedi para fazer um personagem que não tinha falas. Foi difícil, mas foi legal. Contra todas as expectativas, aos poucos o teatro foi me destravando e comecei a me relacionar com o público. Acabei na carreira da educação e das artes, ministrando aulas para diferentes níveis de ensino. O mestrado e o doutorado me encaminharam para trabalhar também com a formação de professores e o estudo profissional em teatro me direcionou para ser formador nessa área. Por mais que o teatro esteja no coração e na ação, percebi nesses anos que uma grande procura das pessoas é por ferramentas de desinibição e oratória, não para se tornarem exímios palestrantes, mas para, assim como eu, deixar mais confortável uma vida onde quase o tempo todo somos chamados a interagir e dialogar com uma, duas, três ou cinquenta pessoas de uma vez, seja no contexto pessoal ou profissional. Fazer um curso de oratória te dá a oportunidade de experimentar essas situações em um cenário protegido onde aos poucos você se acostuma com a exposição, sem se preocupar que algum desastre possa acontecer. Se expondo a gente aprende a se expor, faz isso de uma forma controlada e saudável pra nós.
Faça oratória para assumir quem você é, não para cumprir expectativas do que esperam que você seja
Vivemos em uma era de performance. Bater metas, crescer profissionalmente, cativar seguidores, monetizar nossos hobbies e mostrar sucesso. Tudo isso envolve ainda um fator extra: não basta alcançar todas essas coisas, tem que mostrar que está alcançando, apresentar tudo isso ao público, se posicionar enquanto alguém que conseguiu tudo e sabe como se expressar bem nas diversas situações.
Se tem algo que toda essa pressão faz com a nossa comunicação, é deixá-la pior. Na angústia de acertar em todas essas falas e técnicas, acabamos criando uma forma de se expressar padronizada, apontando quais seriam os jeitos certos de posicionar suas mãos, sua voz ou seu roteiro. Pra falar a verdade, talvez até alguns cursos estejam indo nesse caminho. O ponto aqui não é esse.
A ideia é que observar a maneira como você se comunica, aos poucos também vai dar pistas da pessoa que você gosta de ser e da pessoa que você quer ser. Existem temas e formas de se comunicar que vão te animar mais e outras vão te fazer sentir falso(a) ou estranha(o). Mas você só vai entender o que funciona pra você experimentando na prática. E aí o objetivo deixa de ser a performance e de encontrar uma forma de agradar os outros, mas principalmente encontrar maneiras de ser verdadeiro consigo mesmo na maneira como se expressa.
O público sente isso e as pessoas percebem essa confiança e autenticidade de forma inconsciente no cotidiano.
Não se trata só de falar bem, mas de aprender a organizar suas ideias
Ministrando treinamentos de oratória faz um tempo eu percebi que a queixa de várias pessoas não é especificamente somente sobre se expor em público ou ter medo de falar para grandes audiências. Muita gente diz que, quando vai começar a falar, acaba se atrapalhando nas próprias ideias, sem saber por onde começar ou quais são os caminhos para continuar falando depois do início da fala. Uma das bases da pesquisa que fazemos sobre comunicação é entender a forma como nosso cérebro resolve os problemas através do pensamento convergente ou do pensamento divergente e quais exercícios podemos fazer para treinar esses mecanismos. Para criar uma nova apresentação, por exemplo, precisamos de ferramentas de divergência para encontrar caminhos plurais de exploração de um mesmo tema. Depois, trabalhamos com exercícios associativos para aprender a realizar a conexão entre os momentos de um raciocínio e, por último, desenvolvemos o pensamento convergente e avaliativo para identificar se os nossos objetivos estão sendo alcançados.
Essa mesma estrutura de organização das ideias pode ser aplicada não só para a preparação de apresentações, mas para a resolução de diferentes tipos de problemas que enfrentamos no cotidiano.
Argumentação te ajuda a transformar a vida numa direção que é potente pra você
Uma coisa que eu sempre falo para os alunos de oratória é que melhorar suas técnicas de argumentação e persuasão é como uma tecnologia de fissão nuclear. Pode ser usada para gerar energia, mas também pode ser usada para criar a bomba atômica. Eu recomendo sempre a primeira opção: que a gente entenda como funciona a argumentação para conseguir ser mais assertivos nas nossas necessidades e limites, criando diálogos saudáveis e movendo projetos pra frente. Não para manipular as pessoas com quem a gente interage. Pelo contrário, conhecer sobre as falácias de argumentação pode inclusive ajudar a gente a perceber quando uma conversa (ou propaganda, ou discussão) vai por um caminho de manipulação e a partir daí estarmos preparados para encaminhar essa troca de ideias ser sermos manipulados. Num geral, não podemos negar que grande parte das nossas interações cotidianas envolve a construção de uma argumentação: apresentar um projeto, vender nossos serviços, fazer uma entrevista, defender um tcc/mestrado/doutorado, negociar regras e combinados familiares, dar feedbacks, estabelecer seus limites e por aí vai. Se trata de trazer mais potência na construção da vida e das relações que a gente quer.
A sua capacidade de escuta talvez te transforme mais do que aprender a falar bem.
Quase todo mundo procura uma formação em oratória para aprender a falar bem. E aí logo nas primeiras aulas a gente descobre que, para falar bem, precisamos escutar melhor. Sem conexão, abertura, escuta, troca e percepção ampliada dos nossos interlocutores e seus contextos, tem uma grande chance da gente estar falando sozinhos, por mais que falemos muito bem.
Treinar nossa escuta abre portas interessantes de observação do mundo, das sensações e do comportamento humano. Nossas interações aos poucos deixam de ser mais superficiais e estabelecemos diálogos mais reais com as pessoas, ao mesmo tempo em que percebemos como as nossas falas e ações afetam nosso entorno.
Esse é, de longe, o feedback mais comum e mais interessante que eu recebo dos alunos de oratória: nossas aulas de escuta transformam mais do que só a nossa forma de falar, elas transformam a nossa comunicação como um todo. Como a gente interage, reage e se afeta nas relações.
Pode ser que você goste e isso é assustador. E também é incrível.
Existe um medo secreto das pessoas de fazer oratória. O que passa na cabeça da gente, lá no fundo, é o seguinte: "E se eu gostar? E se eu me destravar, eu vou ter que me expor mais? Eu vou mudar quem eu sou? Eu vou estar o tempo todo mais exposto e me arriscando porque falar em público não vai ser mais um problema?"
A resposta é: sim e não.
Sim, se você gostar, talvez você passe a se expor um pouquinho mais e faça coisas que você não faria, alcance posições que não alcançaria, dialogue com pessoas que não dialogaria. Isso assusta demais porque é algo novo, desconhecido. E o desconhecido é sempre um espaço de risco. Ainda assim, é um risco controlado, porque a gente vai se munindo de ferramentas pra entender quais são nossos limites nessa comunicação e como experimentar a oratória em cada um desses contextos. É pra isso que a gente faz aula e treina.
Ao mesmo tempo a resposta também é não. Se você é uma pessoa tímida, como eu, você não precisa deixar de ser tímida. Eu mesmo ainda escolho ficar na introversão e na observação em várias situações da vida, simplesmente porque faz parte do meu jeito de ser. A diferença é que agora eu é quem escolho quais serão essas situações, não são mais o meu medo ou a minha timidez escolhendo por mim. Quando eu quero, eu me exponho, porque eu tenho as ferramentas pra me expor. Quando eu não quero, eu fico bem tranquilo escutando o mundo ser e acontecer.
Você leu até aqui.
Esse texto não foi escrito para ser digerido de forma breve ou como um conteúdo de venda persuasivo rápido e prático. Nós aqui temos um interesse genuíno em pensar sobre comunicação e como ela nos afeta e nos transformar. O fato de ter chegado até o final do texto, mesmo que tenha lido inteiro somente um ou dois motivos, mostra um interesse verdadeiro sobre o assunto em você. Nesse ponto, vale a pergunta: será que chegou o momento de experimentar um curso de oratória pra ver como ressoa em você?
Eu nunca prometo um final de curso igual pra todo mundo, ou exatamente qual tipo de transformação vai acontecer no final do processo com cada um, porque somos pessoas singulares e é justamente isso que faz brilhar nossa comunicação. O que dá pra garantir é que é uma jornada cheia de exploração da nossa própria humanidade através daquilo que a gente diz e escuta uns dos outros, de autoconhecimento sobre como é a nossa voz e o que a gente espera que ela expresse no mundo (e de que forma ela expresse) e uma curiosidade legítima sobre qual vai ser a diferença entre o ponto que a gente começou e aquele em que a gente vai parar. Seja no Cosmonauta ou em outro espaço, vale a pena experimentar. Posso dizer que muitos dos pensamentos compartilhados nesse texto talvez sejam exclusivos da nossa metodologia, então você tá convidadíssima(o) pra experimentar com a gente, é claro. Mas de qualquer forma, a gente sempre defende que todas as pessoas explorem o mundo de onde conseguem explorar! Vamos?


Comentários